Não acanho-me a chamar-me de poeta. Sou plural na minha singularidade. Mais de um que formam um. Um uno dentre todas as possibilidades. Um uno entro o Nada. E em toda essa possibilidade que é o nada, cada nada que eu sou, é um poeta. É um ser. É.
Parto da possibilidade e da tese que ser humano é ser poético. A criatividade humana é inata, ser humano é criar. Nós, mesmo que num instante tão efêmero, já fomos ou somos ou até seremos poetas. Nós. Humanos. Todo o instante é um instante propício às possibilidades vigentes, evidentes ou não evidentes. Todo momento é momento de poesia, criação independente de juízo. O sorriso puro é poesia, criado de algo tão verdadeiro e necessário. O som tão despercebido que passa, muito mal notado, é poesia. É humano.
A áspera angustia, mas também rara e potente, é sanada com a beleza, o bem humano criado pelo humano. Ao se deparar com o questionamento do porquê de tudo, abobar-se, embebedar-se na beleza da própria criação - própria quando se diz respeito ao que é próprio do ser humano- têm-se, ao menos um pouco, a resposta, a solução, um foco, um menos nada, para a angustia. O fundo do poço, sem sobras de dúvida, é o melhor posicionamento para se estar. De lá se vê tudo ao longe, panoramicamente. É lá que se pensa, que se cria, que se poetiza. É se criando que se desvela a possibilidade de felicidade, que numa investigação mais a fundo revela-se uma escolha sempre possível. A poesia é salvação humana, a poesia é humana!
Tudo isto para dizer o porquê de Nós e Outros Poetas. Cada passo meu é resultado de tudo. De todos. Cada passo meu é um passo do ser humano, e cada passo do ser humano é um passo meu. Cada passo é.
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