Quem dera o cantar de um galo
na manhã tortuosa de um dia sólido
fosse suficiente para deixar-me sóbrio
E fazer ser tudo aquilo que eu mesmo falo?
Quem sabe o nascer de uma lua
no meio do dia que já cedo evito
não desvelasse a mim a verdade crua
Do maior mistério do sei-que-existo?
Quem espera futuro vindo de duas letras?
Futuro de coisas assim tão caretas?
Futuro de palavras assim tão mortas?
Quem dera o calor me queimasse agora
Mas sinto-me tão ártico nesta hora
Que minha voz sai um tanto torta.
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