I
Cantem-me a verdade, Ó musas
Dêem-me a sóbria voz sobre a amizade
Este sentimento tão honroso
Que muitos clamam ser de verdade!
Eu, no entanto, discordo destes
Que proclamam ser ela existente
O que vejo nesse mundo tão latente
São pessoas se vendendo por favores
Causando, então, milhões de horrores
Destruindo, pois, bilhões de sonhos.
Dêem-me a sóbria voz sobre a amizade
Este sentimento tão honroso
Que muitos clamam ser de verdade!
Eu, no entanto, discordo destes
Que proclamam ser ela existente
O que vejo nesse mundo tão latente
São pessoas se vendendo por favores
Causando, então, milhões de horrores
Destruindo, pois, bilhões de sonhos.
Eu admito, não sei o que é isto
Não sei se tenho amigos
Não sei nem se tive amigos
Dizem, porém, que é assim
Do nada a amizade vai e surge
E o acaso o destino nos presenteia
Com o dom da amizade tão alheia
Que não queremos então nada em troca
Mas eu, ser solitário e intocável
Vejo-me distante deste planetário...
Digam-me, Ó musas, se puderem
Se sou eu o monstro rude
Bem punido por ser monstro
Ou se vocês que me escolheram
Esta punição de ser assim tão solitário
Digam-me, mas digam-me com sinceridade
Existe de verdade a amizade?
Pois o que tenho não sei sequer o que é
Se os que tenho não respondem ao meu chamado
Ou sou eu que deturpo a amizade?
Minha vida vazia e destruída
Culpa minha que idealizei uma mentira
Pois o que eu pensava por amizade
Não é o que de fato é de verdade!
Eu criei, pois, um mundo novo
Onde seres por intuição já entendiam
O problema que os amigos lá sentiam
E em um chamado racionalmente inexplicável
Iam ao suplicio do miserável
E o miserável então seria curado.
II
Mas eis que descobri, Ó caras musas
Que isto, no entanto, não existe
Põe-se, pois, a si antes do outro
E tem-se a amizade como triste
Ideal prensando, preso e morto...
Que isto, no entanto, não existe
Põe-se, pois, a si antes do outro
E tem-se a amizade como triste
Ideal prensando, preso e morto...
III
Ó deuses imortais, filhos sabidos
Guiem-me a uma verdade verdadeira
Digam-me sobre a tal da amizade
Contem-me a história por inteira
Falem-me de sua possibilidade
Deem-me um pouco de sua sabedoria
Cantem-me os cantos, por piedade
Tirem-me desta dura agonia
Guiem-me a uma verdade verdadeira
Digam-me sobre a tal da amizade
Contem-me a história por inteira
Falem-me de sua possibilidade
Deem-me um pouco de sua sabedoria
Cantem-me os cantos, por piedade
Tirem-me desta dura agonia
Suponhamos, então, que me provaram
Que a amizade realmente é existente
Deem-me, pois, um amigo destes
Que sempre está ao lado da gente
E aí terei eu, amados deuses,
A prova máxima de que estava errado
E que o errado sou eu não todo o resto
Que não tenho amigos pois eu não presto
A cólera da solidão já derrubou-me
Funesto canto os feitos de um passado
Que outrora fora visto como digno
Hoje não passado de um pecado
De um abuso contra mim por ter errado
E na insanidade então eu ter criado
Uma coisa inexistente como eu concebera
A amizade, real amizade, que nunca nascera.
IV
“Eis que a amizade é um dom humano
Elixir supremo sem o qual não vivemos
Dois corpos dividindo uma só alma
Duas almas que tornam-se antes uma
O espelho uma da outra refletido
Elixir supremo sem o qual não vivemos
Dois corpos dividindo uma só alma
Duas almas que tornam-se antes uma
O espelho uma da outra refletido
O amigo, portanto, é o herói
O que destrona mundos e montanhas
O que salva a gente do horror
O amigo é o salvador esperado
Que conhece nosso terror de olhos vendados.
Colocar-se-á depois de você o amigo
Sua vida é a vida dele e por isso
A qualquer momento e em qualquer
Lugar, ele estará, lá parado, correndo
Em direção a você... Uma alma.
No entanto a amizade não é favor
Não é esperar a ajuda sempre
A amizade é apenas amizade
Há favores por ser amizade
Não amizade por haver favores”
Disse-me assim qualquer um
Deu-me esta explicação desexplicada
Tocou-me o coração esta facada
Facada, pois fez-me perceber
De pouco em pouco o meu desfalecer
V
Cantem-me,Ó homens
O seu quintal de contos
Abram a boca e cuspam
O que entendem por amizade
O seu quintal de contos
Abram a boca e cuspam
O que entendem por amizade
Desenhem se preferirem
Pratiquem esta insolência
Cuspam em mim sua amizade
O que entendem por amizade?
Por vocês, Ó homens
Fui iludido e fui traído
Injetaram em mim um desconceito
Uma mentira aceita que aceitei
Uma calúnia brava que levei
E pus-me a nomear amigos
Insanamente. Deste modo
Pequei contra meu éthos.
Errei contra mim já de início
Tomei aquilo sem nem pensar
Clamei aos homens por amizade
Sem, no entanto, a amizade eu cuidar
Vocês, homens, precisam
De tantos amigos assim?
Eu quero apenas um
Não uma fila sem fim!
VI
Disse-me uma dama certo dia que o problema
Talvez fosse comigo, e é, e disse-me monstro
A amizade erro não tinha, era tão subjetiva e
Inexplicável. Culpou-me por toda a burrice
Acusou-me de tolice, verme imundo nomeou-me
Sofri a ira das musas. Ó musas, ainda me ouvem?
Meu poema não segue mais, perdi sua amizade?
Ah é, nunca a tive de verdade. E vocês, Ó deuses?
Abandonaram-me também? Restam-me homens?
Estes homens cruéis e loucos, estes homens?
Que não se identificam comigo, que não
Que não me compreendem ou entendem?
Deixam-me sozinho, perdido e louco
Com somente homens por possibilidade
De conhecer na própria busca a amizade?
Que crueldade sem tamanho a de vocês
Deuses e Musas. Castigam-me só pode
Ou mostram-me o que afirmo
Que a amizade não exise, é lenda, é falsa
Que o homem existe, é lenda, é falso.
Talvez fosse comigo, e é, e disse-me monstro
A amizade erro não tinha, era tão subjetiva e
Inexplicável. Culpou-me por toda a burrice
Acusou-me de tolice, verme imundo nomeou-me
Sofri a ira das musas. Ó musas, ainda me ouvem?
Meu poema não segue mais, perdi sua amizade?
Ah é, nunca a tive de verdade. E vocês, Ó deuses?
Abandonaram-me também? Restam-me homens?
Estes homens cruéis e loucos, estes homens?
Que não se identificam comigo, que não
Que não me compreendem ou entendem?
Deixam-me sozinho, perdido e louco
Com somente homens por possibilidade
De conhecer na própria busca a amizade?
Que crueldade sem tamanho a de vocês
Deuses e Musas. Castigam-me só pode
Ou mostram-me o que afirmo
Que a amizade não exise, é lenda, é falsa
Que o homem existe, é lenda, é falso.
VII
Ó homens, deuses e musas
Não posso racionalizar a amizade
Talvez exista, talvez não resista
Talvez seja lenda, talvez uma prenda
Para a gente enganar. Quem sabe?
Se há problema não é com o subjetivo
generalizado. É comigo, o homem errado.
Mas eis que no fim desta agonia
Olho, ao núcleo reduzido que gemia
E vejo que sobram uns poucos homens
Amigos? Deuses? Musas? Apenas homens...
Não posso racionalizar a amizade
Talvez exista, talvez não resista
Talvez seja lenda, talvez uma prenda
Para a gente enganar. Quem sabe?
Se há problema não é com o subjetivo
generalizado. É comigo, o homem errado.
Mas eis que no fim desta agonia
Olho, ao núcleo reduzido que gemia
E vejo que sobram uns poucos homens
Amigos? Deuses? Musas? Apenas homens...
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